O pró-labore é o seu salário de sócio e entender como definir seu valor e a importância de utilizar ao seu favor pode te ajudar a economizar com inteligência.
Para você que fatura acima de R$ 20 mil por mês (sim, estou falando com você, Global Worker), definir bem o pró-labore pode te dar mais segurança e menos dor de cabeça com a Receita.
O que é PRÓ-LABORE
Pró-labore nada mais é do que o salário do sócio pelo trabalho na sua própria empresa.
Diferença rápida:
- Pró-labore → é remuneração, sofre desconto de INSS e IR.
- Distribuição de lucros → é o que sobra do resultado da empresa (faturamento – despesas), não paga imposto (desde que sua contabilidade esteja em ordem).
Por que o pró-labore é obrigatório
Segundo a lei, o sócio que trabalha na empresa é contribuinte obrigatório da Previdência Social. Na prática: mesmo sendo dono, você precisa contribuir como qualquer trabalhador.
Isso tem um lado bom pois essa contribuição garante seus direitos previdenciários, como auxílio-doença, aposentadoria, salário-maternidade, entre outros. Pode não parecer muito atrativo quando comparado a investir por conta própria, mas se um imprevisto acontecer antes de você ter uma boa reserva, é a previdência que pode segurar as pontas por um tempo.
📌 Base legal: Lei 8.212/91, art. 12, V.
Como definir o valor do pró-labore
Existem três pontos que você precisa considerar na hora de definir o valor:
1) Fator R do Simples Nacional
Se o seu pró-labore for de 28% ou mais do faturamento, a empresa pode se enquadrar no Anexo III, pagando alíquotas menores. Se ficar o pró-labore for mais baixo, cai no Anexo V e o imposto fica bem mais alto.
Exemplo: faturamento de R$ 20.000.
- Pró-labore de R$ 4.000 (20% do faturamento) → tributa pelo Anexo V
- Pró-labore de R$ 5.600 (28% do faturamento) → enquadra no Anexo III e paga menos imposto.
2) Cobertura do INSS
Você contribui com 11% até o teto. Em 2025, a contribuição máxima individual é de cerca de R$ 897,32. Ou seja, não importa se o pró-labore é de R$ 20 mil ou R$ 40 mil: o INSS não passa desse teto.
Já o IR segue a tabela progressiva e, nesse patamar, entra na alíquota máxima de 27,5%.
3) Cumprir a lei
Pró-labore precisa ser coerente com a função do sócio e com a realidade da empresa. Não é permitido que tenha valor inferior ao salário mínimo brasileiro, em 2025, R$ 1.528,00.
Pró-labore para quem ganha acima de R$ 20k
Quem tem faturamento mais alto precisa pensar além do “quanto vou pagar de imposto”.
O que acontece na prática:
- O INSS é limitado ao teto (não é 11% sobre tudo).
- O IRRF é progressivo, então vai para 27,5% em valores altos.
- A distribuição de lucros continua sendo isenta, desde que tudo esteja documentado corretamente.
Ou seja: o segredo é usar o pró-labore como ferramenta de estratégia.
Comparando regimes na prática
Simulação para uma empresa de tecnologia que fatura R$ 20.000/mês (R$ 240.000/ano), com pró-labore de R$ 5.600 (28% do faturamento):
Impostos da empresa (sem pró-labore)
| Regime | Impostos Empresa (R$) | Alíquota Efetiva Empresa |
|---|---|---|
| Simples Nacional – Anexo III | 743,14 | 3,72% |
| Simples Nacional – Anexo V | 2.537,58 | 12,69% |
| Lucro Presumido | 1.129,34 | 5,65% |
📌 Valores considerando exportação de serviços de tecnologia (isenta de ISS, PIS e COFINS).
Impostos totais (empresa + pró-labore: INSS + IR)
| Regime | Impostos Totais (R$) | Alíquota Efetiva Total |
|---|---|---|
| Simples Nacional – Anexo III | 1.821,01 | 9,11% |
| Simples Nacional – Anexo V | 2.537,58 | 19,98% |
| Lucro Presumido | 2.006,58 | 10,03% |
Estratégias inteligentes para devs e Global Workers
- Pró-labore abaixo de 28% → enquadra no Anexo V e paga quase o dobro de imposto.
- Pró-labore muito alto→ mais IR do que o necessário.
- Meio-termo planejado → menos imposto, mais segurança e tranquilidade.
Esse é o ponto em que planejamento tributário e planejamento financeiro pessoal precisam andar juntos. Para aproveitar ao máximo é preciso conciliar economia, segurança previdenciária e construção de patrimônio (reserva de emergência, investimentos e liberdade financeira).
A estratégia consiste em definir um pró-labore que faça sentido para sua realidade, evite riscos fiscais e não te desampare em caso de imprevistos. Ele garante seus direitos, mantém sua empresa no regime mais vantajoso e evita dor de cabeça com a Receita.
E a gente sabe que se esse assunto é novidade pra você, pode até parecer confuso. Mas você não precisa entender cada detalhe. O mais importante é ter uma contabilidade que entenda o seu mercado e em quem você confie. Assim, não esquenta a cabeça com nada e garante um planejamento seguro, inteligente e personalizado pra você.
Na Groovy, é exatamente isso que fazemos: transformar números em liberdade. 🚀







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